5 de maio de 2009

AQUELE DA INFANCIA (PAU TORTO)

Ontem fiz minha mãe revirar um bando de pastas que continham documentos meus. Vimos um bando de bizarrices, tipo diplomas, boletins, fotos 3X4, provas do primário e por aí vai... Ah sim, os contracheques do meu primeiro emprego, esses ganharam em disparado como a bizarrice-mor do século passado! Uma das coisas que mais me chamaram a atenção foi um boletim, se não me engano da primeira série, onde a professora (sabe-se lá com que critério) analisava o meu comportamento. Agora, imaginem a minha cara ao me deparar com isso, tipo XX anos depois já formado em psicologia. Se eu estivesse morto, provavelmente teria me revirado no túmulo e aparecido no sonho de umas mil pessoas até que me desenterrassem e me botassem de volta no lugar.

(Sinceramente eu não consigo me lembrar de muitos episódios da minha infância. Não sei se é porque realmente muitas coisas não me chamaram atenção o suficiente, ou se eu fiquei traumatizado e minha psiquê tratou de se utilizar de alguns mecanismos de defesa para me "proteger" de lembranças desagradáveis. Enfim, só sei que eu preciso me esforçar muito para lembrar de alguma coisa).

Então segundo a avaliação da 'tia' eu não era uma pessoa tímida (e consequentemente extrovertida). Eu era afetuoso, chorava com facilidade e não era bem aceito pelos colegas. Não tinha espírito de liderança e não sabia manusear muito bem os materiais de trabalho.

Talvez eu não fosse tímido, mas a vida acabou me tornando um 'freak' na adolescência, daqueles que morriam de vergonha de tudo e de todos. Hoje eu tenho lá os meus acessos de timidez, mas são mais bloqueios por motivos específicos e isolados do que timidez mesmo. Sou bastante extrovertido quando me sinto a vontade (às vezes quase beirando os limites do 'incoveniente'), caso contrário eu sou capaz de passar desapercebido (exceto pela minha beleza digamos, exótica). Eu era afetuoso, chorava e não era bem aceito, ou seja, em outras palavras um mini-protótipo de gay. Sabe-se lá o que isso representava na infância, mas eu tive uma sensação de já ter vivido isso antes conscientemente em algum outro momento da minha vida.

Eu lembro de ser alguem extremamente agressivo, que batia nos colegas, xingava as tias do transporte escolar, e surtava, o que me leva a pensar de onde foi que tiraram que eu era 'afetuoso' um atorzinho nato!. Não foram poucas as vezes que eu saia distribuindo cusparadas a torto e a direito. Desde então ficou claro pra mim que eu só queria chamar a atenção, e isso continua até os dias de hoje, só que eu me utilizo de outros artifícios. Como por exemplo, dizer que vou tirar a roupa no trabalho para ter maior 'visibilidade'.

Ainda sou bastante agressivo, e as pessoas não acreditam nisso, porque elas sempre me veem como um cara paciente e tranquilo. Uma pessoa sem unhas nos dedos e que tem o sono agitado não é tranquila nem aqui e nem na china. Eu meio que aprendi a controlar os meus impulsos agressivos. Não foram poucas as vezes em que eu tive vontade de pular no pescoço de um bando de gente e distribuir sopapos, mas eu sempre conto até 10 (ou 1000 se for preciso), e tento lembrar que eu tenho emprego e mais um bando de responsabilidades e que eu poderia botar tudo a perder por besteira, além de claro, ter a chance de que estraguem meu lindo rostinho.

A "tia" também disse que eu raramente tinha boas idéias. Veja só. Eu sempre tenho ótimas idéias! Provavelmente minhas idéias deveriam ser revolucionárias e polêmicas para a minha idade, o que talvez não fizesse delas algo muito bom de acordo com a ótica da 'tia', mas era o ponto de vista dela que estava em evidência, não o meu!

As avaliações eram feitas bimestralmente, e ao longo do ano letivo eu apresentei melhora significativa em praticamente todos os aspectos que haviam recebido nota baixa inicialmente. Ou seja, eu não lembro exatamente do que aconteceu, mas provavelmente após levar broncas e mais broncas da 'tia', eu acabei entrando nos eixos, pois no final da história minhas avaliações receberam o conceito 'ótimo' pau que nasce torto pode ser corrigido com cirurgia, ou não.

Um comentário:

  1. Amigoooo... eu amei esse post!!!! Principalmente o seu comentário sobre como é curioso ler uma impressão a seu respeito ainda criança, sendo hj um psicólogo formado. E o legal é poder analisar isso retrospectivamente.
    Vc me fez relembrar as dolorosas sensações do passado remoto que envolvem uma determinada cadernetinha (valei-me!) em que eu era avaliado diariamente com relação ao comportamento e rendimento no meu curso de férias preparatório para a prova de admissão do colégio militar... entre 1981 e 1982...

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